sexta-feira, dezembro 08, 2006

Fim!




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terça-feira, novembro 28, 2006

A teu pedido, sinto-me na obrigação de dizer algo!

Não devia ter acordado... Acordei no dia errado.
Creio que quando dormimos o tempo se altera e acordamos consuante o dia que nos é favorável. Hoje por lapso ou erro biológio acordei no dia errado. E ao adormecer já o presentira.
Há dias que não são feitos para nós, nesses dias somos apenas instrumentos do outro, o seu sentido, a sua lógica, a sua satisfação, ou seja lá o que for... Ao dormir, ao sonhar, é levado algo e o que traz não compensa o défice.
Hoje após a noite mal dormida e pouco sonhada, ninguém gosta da minha anulação silênciosa do interior. Receio que todas essas caras me passem ao lado, ou que bem de frente, não sejam só e apenas um segredo interior de irritação, como uma acha numa fogueira. Este dia não me pertence e mesmo assim sou obrigado a justificar a minha sina diária. Vim parar a um mesmo complexo temporal replecto de gente que não pertence ao meu mundo e que fazem parte do meu sonho.
Pelos vistos hoje nasci sem nome e a minha alma entre quatro paredes não acordou, morreu.
Hoje menti e minto quase sempre, sinto sincero a mentira da minha expressão devolvida. Não faço um único olhar ou sorriso que não seja meditado, medito porque não o posso dizer, é como vender a mentira a preço de ouro.
O dia não me pertence e passo por ele como se fosse outro qualquer, é a forma mais segura de viver a mentir descaradamente.
Eu sem nome, hoje ao nascer com a minha alma estéril, acordo da minha liberdade, dou-me á escravidão e esta é a minha pior condenação. Nas poucas horas de sono como morte, liberto-me, entro na gruta escura do pensamento, onde nem eu próprio sou grilhão. Hoje sou escravo de todos vós, e no fim de contas tenho de prestar declarações pelo vício de vos consumir.

Amanhã tornarei a ser escravo; porém agora, só, sem necessidade de ninguém, recioso apenas que alguma voz ou presença venha interromper-me, tenho a minha pequena liberdade, os meus momentos de excelsis.”

segunda-feira, novembro 20, 2006

Há dias tive um sonho... via Lenine com o braço apontado na direcção do horizonte. Não percebi se ele indicava o futuro ou se o mandava parar.
Cremos nas nossas acções e pensamentos mais profundos, mas assim que o fazemos, ganhamos logo um medo moral aterrador.

domingo, novembro 19, 2006

A morte fica para amanhã!

sexta-feira, novembro 17, 2006

Teatro Infantil - "Era uma vez... Um Dragão"






Era uma vez um dragão de António Manuel Couto Viana

De 18 de Novembro a 17 de Dezembro
Sábados 16h30 || Domingos 11h30

Espaço TapaFuros
(C.C. Belavista – Mem Martins)

Espectáculo para a infância e juventude

Info: 968 291 886

«Era uma vez um dragão», publicado em 1949, é uma comédia em verso, na redondilha maior da poesia popular e vicentina, com um enredo muito simples.
Apresenta-nos «três amigos, que em tempos já muito antigos, saíram da sua terra em busca de aventura»: Catrapaz, Catrapiz e Catrapuz.
Catrapiz tenta assustar os amigos dizendo ter visto um dragão terrível na noite anterior.
Catrapaz, apesar de amedrontado, diz logo que faz o monstro em mil pedaços.
Catrapuz decide dar-lhes uma lição, batendo-os na arte do engano. Mascarando-se, desmascara as mentiras de um e a fanfarronice do outro. Tudo acaba bem, saindo a amizade dos três reforçada.
A estrutura da peça e do próprio verso – de boa carpintaria mas flexível, brincando com a forma – sugerem uma encenação ágil e alegre, privilegiando o jogo expressivo dos actores, o gosto do despique verbal e o prazer do «faz de conta». Ou seja, um espectáculo que seja agradável para adultos, aceitável para adolescentes e não aborreça as crianças. Foi o que se tentou fazer.

Antes da representação da peça, conta-se um conto, “O Dragão Relutante” de Kenneth Grahame

terça-feira, novembro 07, 2006

Rua a cima, rua a baixo...
Rua a cima, rua a baixo...
Rua a cima, rua a baixo...
Rua a cima, rua a baixo...
Rua a cima, rua a baixo... segue-me e serei teu. Perco o juízo e nunca sei se sou eu.
Rua a cima, rua a baixo...

domingo, outubro 29, 2006

Convida a entrar...

segunda-feira, outubro 09, 2006

BARCELONA 06

Casa Milá - Guadí











Sagrada Familia - Gaudí











Mercat St. Josep (la boqueria)














Park Guell






sexta-feira, outubro 06, 2006

Cantiga do Zé

O Zé não sabe onde pôr as mãos
E está farto de as ter no ar
Não teve sorte com os padrinhos
Nem tem jeito para roubar

O Zé podia arranjar emprego
E matar-se a trabalhar
Mas olha em volta e o que vê
Não o pode entusiasmar

E a cidade cá está para o entreter
Indiferente e fria, disposta a esquecer
Que a ansiedade é um minotauro
Que se alimenta de solidão
E que a ternura é uma bruxa
Que faz milagres
Se a mente a deixar ser

O Zé está vivo e é das tais pessoas
Que sentem prazer em rir
Mas tenho visto ultimamente
Esse gosto diminuir

O Zé experimenta um certo vazio
Comum a uma geração
Que despertou da adolescência
Com "vivas" à revolução

E a cidade cá está para o entreter
Indiferente e fria, disposta a esquecer
Que a ansiedade é um minotauro
Que se alimenta de solidão
E que a ternura é uma bruxa
Que faz milagres
Se a mente a deixar ser



Jorge Palma

sexta-feira, setembro 29, 2006



Então Janis para quando esse blues???

quarta-feira, setembro 27, 2006

O homem olhou para as suas mãos e disse:
- Estas mãos têm vinte anos.
Cinco anos mais tarde, voltando a olhar para as suas mãos, comentou:
- Estas mãos têm vinte e cinco anos.
Passaram-se muitos anos, talvez trinta e quatro. Mais uma vez, o homem olhou para as mesmas mãos, fitou-as com os dois olhos, ora com o direito, ora com o esquerdo, ora com ambos, olhou para trás no tempo, e disse:
- Esta é a terceira vez que olho para as minhas mãos.


Carapuço
Agarrar-te a voz pela mão, pelo olhar...
Agarrar-te a sombra pelos cabelos e sorrir baixinho para não te acordar,
o suficiente para brincar com o nosso sentimento.


Carapuço

domingo, setembro 10, 2006

Fire is not a nice guest

Eu era encarregado de um manicómio, pois estava louco.
Chegou um fogo, que ficou esfomeado; por isso eu disse podes comer um toro, mas não subas as escadas e não comas uma dementia praecox.
Eu disse, doidos, ide para o sótão enquanto um fogo come uma cadeira da cozinha ao pequeno almoço.
Mas o fogo queria uma cortina da cozinha, que comeu e trepou ao mesmo tempo, e depois foi para o tecto comer um caibro.
Eu disse, se tens tanta fome come um caibro, mas não comas um maníaco.
Entretanto, um maníaco no sótão, com um machado, começou a atacar o céu.
Vais provocar chuva, é o que vais fazer, disse eu, feri-lo até que chova.
O fogo estava a comer uma senhora idosa. Eu disse, uma senhora idosa, vá lá, e uma criança para sobremesa.
Eu disse ao fogo que podia dormir a sesta na cama do maníaco. Mas o fogo queria comer a cama. Estás muito esfomeado, fogo, disse eu.
Mas, por essa altura toda a família do fogo já tinha entrado e estava a comer os cantos do manicómio - Eh, é aí onde os mortos construíram as suas cidades.
Mas os fogos não queriam ouvir porque não gostam de passar fome.
Por isso pedi aos lunáticos que saíssem do sótão e disse-lhes que era uma guerra de nutrição, e que deviam comer o fogo, senão ele os comeria.
Mas eles disseram, nós não somos comedores de fogo, somos engolidores de espadas...


Russell Edson, O Túnel

sábado, setembro 09, 2006

Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,

Eu quero por força ir de burro.

Mário de Sá Carneiro

Ela tinha umas asas e... era linda de morrer

Ela... ela tinha umas asas e era linda de morrer. Dizia que queria ficar ali sentada á espera que o tempo passasse, não acreditava que o tempo tudo compunha, também não queria. Nos olhos do seu pensar viam-se constantes alterações mas na sua imaginação mais uma vez contruia um futuro incerto, contudo pela sua imaginação podia ir onde queria... sentada com o tempo a passar.